ENTREVISTA 11 - GLEIZ: TEMPESTADE DE TESÃO
“MAS ATÉ GANG BANG JÁ FIZ”
De onde você é? E qual sua primeira lembrança
de ter visto uma cena de sexo em sua vida?
Eu sou do interior de São Paulo. Minha
primeira lembrança... Deixa eu pensar. Eu sempre gostei de fuçar as coisas,
tudo, então é bem, bem antiga minha primeira lembrança, assim. Acho que foi
quando eu pegava as fitas do meu pai escondido. Porque assim, época de vídeo
cassete, né? E eu era o demônio (risos) e eu tinha vídeo cassete no meu quarto.
Aí um dia eu encontrei uma fita lá, preta. Daí eu falei assim: nossa o que é
isso? Criança curiosa, passava o dia sozinha, falei: vou assistir. Era uma fita
proibida (risos). E assim eu achei muito louco, porque eram aqueles de
historinhas, sabe? Acho que era de encanador, daí eu falei: Meu Deus o que é isso?
E assim, esse roubo das fitas do meu pai foi frequente. Peguei várias vezes,
algumas diferentes, tudo. Então, assim, meu contato foi bem cedo.
Com quantos anos perdeu a virgindade e como
foi?
Eu tive uma adolescência muito difícil, porque
eu era muito magrinha e sofri muito bullying. Lembro que tinha aqueles jogos da
garrafa, sabe? Ninguém queria cair comigo. Aí, eu perdi um pouco tarde, perdi
com 17 pra 18 anos. Foi uma bosta. Porque assim, foi numa época em que eu
estava bem melhor, né? Que o pessoal começou a me achar mais bonitinha e,
consequentemente, eu nunca fui muito romântica. Aí eu escolhi uma pessoa X.
Tipo, foi uma merda. Foi mais pra perder mesmo, sabe?
Como você começou a ser uma stripper virtual?
E o que te motivou a entrar nesta profissão?
Comecei em 2015. Eu tinha um emprego fixo.
Foi por prazer em me exibir mesmo. Não foi, “ai, vou viver disso”. No começo,
eu fazia por prazer. Eu entrava geralmente de manhã, eu trabalhava à tarde, aí
eu ia, gozava e acabava o dia. Era mais por prazer mesmo. Meio de 2016, eu
perdi meu emprego. Eu falei que nunca mais ia trabalhar para os outros. Aí
assim, eu comecei a pesquisar, comecei a ver vários vídeos no Xvideos de
apresentações. Mas assim, foi mais para ter uma referência. Eu criei meu próprio
estilo e comecei a trabalhar por conta. Porque falei: nunca mais vou trabalhar
para os outros.
Porque aconteceu comigo devido à crise. A
empresa que eu trabalhava fechou, não pagou ninguém, aí eu falei: “nunca mais
vou trabalhar para os outros porque eu nunca mais quero passar por isso”.
Porque, seguinte, ficam com essa briga por causa de leis de direito do
trabalhador, mas quando perdi meu emprego não teve carteira assinada que me
salvou de não receber nada. O cara que deve pra mim é multimilionário, faz o
que quer, porque com certeza a família tem ajuda do governo. Com o tempo eu
comecei a investir mais, comprei uma câmera boa, comprei um notebook. Eu acho
que quando você foca, você consegue.
“COM A CARA, CORAGEM E A MÃO”
Como foi sua primeira exibição para a cam?
Minhas exibições eram muito malucas. Porque,
assim, eu fazia por vontade própria. Então, eu já chegava naquele fogo e no
começo eu não tinha brinquedo, sabe? Eu não tinha nada. Eu ia lá com a cara,
coragem e a mão! Eu não lembro direito, porque faz muito tempo, mas o cara
elogiou bastante, achou natural, porque na realidade era mesmo e foi uma coisa que
eu sempre quis pegar pra minha vida: a naturalidade. Eu não curto fazer show
forçado, essas coisas. Se às vezes, assim, eu não gosto do usuário, porque às
vezes, sei lá, a pessoa fala alguma coisa ou não transmite uma energia boa, não
sei... Eu acabo até não fazendo show pra quem eu não gosto.
Me conte três fantasias que gostaria de
realizar.
Eu me sinto uma pessoa muito realizada nesta
questão. Porque eu já fiz tudo o que quis fazer. Já fiz em corredor de hotel.
Já fiz em lugar público, assim, rua. Já fiz tudo que tinha vontade de fazer.
Nunca passei vontade. Cara, não tenho vontade de nada (risos). Tenho minhas
preferências obviamente, mas até gang bang já fiz, entendeu? Então, nunca
passei vontade.
Me diga agora, um momento inesquecível e de
muito prazer em suas exibições.
Acredito que todas são especiais e todas
inesquecíveis. Sem ser as “miojos”, três minutos. Tem muito usuário que “ah já
tira a roupa que não sei”. Quando é assim eu odeio! Quando, sei lá, o cara
chama no privado “já deixa meu pau ficar duro”, eu penso: porra não precisa nem
falar pra isso (risos). Eu penso o seguinte, não tendo exibição de três
minutos, “miojão” como eu gosto de falar, todas as cenas eu faço com carinho.
Quais são seus planos de carreira?
Futuramente, eu pretendo voltar a fazer mais
por esporte, abrir um negócio meu, porque eu estudo gastronomia. E voltar a
fazer só por esporte, como eu fazia antigamente.
“EU FAÇO POMPOARISMO, EU TENHO TODO O
CONTROLE. E EU SEMPRE GOSTEI DA TEMPESTADE, EU SEMPRE ACHEI A TEMPESTADE A
MELHOR X-MEN”
Você gosta de filmes pornôs convencionais?
Contracenaria em um?
Olha eu gosto, sou viciada, assisto muito.
Porém, eu acho que não existe muita química entre os atores. Eu vejo tanto
filmes nacionais, tanto filmes internacionais. Eu acho, falta um beijinho,
falta uma coisinha (risos), falta uma preliminar no negócio. Já vai direto pro
“fight”! Isso não acho muito interessante. Eu curto assistir preliminar. Eu vi
um gang bang da Emme White com... Esqueci o nome dos caras, que mereciam estar
sendo citados, mas assim, eu acho ela sensacional. Porque, cara, uma DP vaginal
é incrível! Eu acho que é uma cena memorável! E eu não faria.
Masturbação feminina ainda é um tabu em nossa
sociedade. Você lembra da primeira vez que se masturbou?
Masturbação feminina é um tabu porque a
cultura fez ser um tabu. Porque é o seguinte: eu acho que até a masturbação
feminina é mais interessante do que a masculina. Porque o homem é como o fogão
elétrico. O fogão elétrico você vira o botão, aperta estrelinha, tá aceso! A
mulher não! A mulher é o fogão a lenha. O fogão a lenha você vai, você sai,
você corta a lenha, você pega a lenha, tá lá, você pega e acende, hum não
acendeu agora, dá uma balançadinha, taca um álcool (risos) e vai indo até
acender. Não é um processo tão rápido. Porque, aquela coisa, muito homem não
faz mulher gozar. Muita mulher passa a vida inteira sem ter um orgasmo. Eu acho
importante a mulher se tocar, a mulher conhecer seu corpo, a mulher saber onde
ela sente mais tesão, onde ela não sente. Eu sempre fiz. Eu acho que a primeira
vez, eu tinha uns dezesseis anos, porque eu queria perder meu hímen com
masturbação, eu era muito louca, né? (risos) Eu pensava: ai, eu vou perder
minha virgindade sozinha. Sempre fui muito independente. Aí, não consegui,
obviamente, não consegui. Eu sempre gostei de mandar nudes, sempre gostei de
fazer vídeos. Mas a primeira vez eu não me lembro ao certo.
Qual sua posição preferida na hora da transa?
E nos conte um pouco mais sobre sua identificação com a personagem Tempestade
do X-Men.
Minha posição favorita, desde antes de ser
empresária do sexo, é por cima. Porque, por cima, como eu faço pompoarismo, eu
tenho todo o controle. E eu sempre gostei da Tempestade, eu sempre achei a
Tempestade a melhor X-Men (risos). Foi nossa! Foi a que sempre teve mais o
espírito de liderança, o cabelo mais bonito, enfim, eu sempre gostei muito da
Tempestade. Eu até falo assim na minha sala, que “nos filmes você nunca vê a
Tempestade fazendo putaria, aqui você vai ver”. Acho a Tempestade uma
personagem sensacional.
Você tem uma tatuagem no bumbum com a escrita
“bésame mucho”. Há algum significado especial nela?
“Bésame mucho como se fuera esta noche la
ultima vez”... (risos). É, não tem nenhum significado especial, assim. Eu
queria fazer uma tatuagem no bumbum, queria fugir do normal, aí eu fiz ela. É
uma música que os Beatles tocaram, Elvis, Maysa, nomes incríveis. Muito, muito
mais gente tocou “bésame mucho”, é uma música incrível. Então, assim, é até uma
homenagem, porque minha bunda vive aparecendo por aí. Eu acho uma música muito
bem feita, muito bem escrita, e vários cantores incríveis cantaram ela.
E para encerrar, quais são os seus ídolos no
mundo +18?
Olha, eu não tenho ninguém favorito, não!
Pela questão de cada um tem sua forma artística de se expressar. A questão é
que às vezes você pode até gostar do trabalho, de como a pessoa se porta. Mas
às vezes, sei lá, a pessoa pega um roteiro que você não curte ou a menina da
cam tem que atender de um certo jeito. Então, é muito relativo isso de favorito.
Não é favorito. Eu prefiro respeitar o trabalho de todo mundo. Às vezes, por
exemplo, como eu falei do gang bang da Emme...
Eu achei incrível, porque era inter-racial,
foi hardcore. Às vezes eu posso, sei lá, ver um trabalho dela e não ficar tão
fascinada, sabe? Então, por isso não pego ninguém como favorito. Eu penso que
cada um tem sua expressão artística, cada um tem seu jeito de trabalhar e
respeito o trabalho de todo mundo. Acho que todo mundo, assim, tem um talento e
uma coragem de fazer um trabalho bacana e é isso que importa.
Mais alguma coisa que gostaria de falar nesta
entrevista?
Não, tranquilo, já falei demais (risos). Falo
muito. Então, beijos, muito sucesso também, é noiz!
Chat: https://cameraprive.com/br/gleizz-maciel
Twitter: @GleizMaciel
© Caroline Borgia 28/09/2018

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