ENTREVISTA 13 - NATY: UMA PROVOCADORA NATA
“SEXO ANAL FOI UMA DELAS, PASSEI A GOSTAR POR ELE
TER ME MOSTRADO QUE NÃO É TÃO COMPLICADO”
De onde você é? E qual sua primeira lembrança de ter visto uma cena de
sexo em sua vida?
Sou do
Vale do Paraíba, interior de SP. Me lembro que estava no quintal de casa arrumando
umas coisas com minha mãe e encontrei uma revista pornográfica. Foi embaraçoso,
pois minha mãe nunca falou abertamente sobre sexo em casa e estava visivelmente
sem saber o que fazer. As imagens eram de sexo oral de um casal heterossexual.
Nunca me esqueço, tinha uns oito anos de idade ou menos.
Com quantos anos perdeu a virgindade e como foi?
Foi com
dezenove anos, não foi nada demais e depois eu fiquei chateada, pois o
indivíduo me expôs falando para os amigos até a cor de lingerie que eu usei.
Mais um cretino educado nessa sociedade machista. Houveram outras relações
sexuais que eu julgo ter perdido de verdade minha virgindade, onde fui muito
mais respeitada e tratada com carinho.
Você é linda e plena como modelo de passarela, além de ter um corpo
perfeito para isso. Como se deu seu envolvimento com o alto padrão da
moda? Veio antes da cam?
Muito
obrigada! Eu trabalho com moda desde os catorze anos de idade, quando fiz meu
primeiro concurso de modelos. Houveram momentos mais complicados que precisei
alternar a moda com o trabalho em comércio varejista de minha cidade. Logo em
seguida tive boas temporadas como modelo fashion e comercial. Quando veio uma
proposta para sair do Brasil, uma novela alertava sobre tráfico humano de
mulheres, culminando em uma imensa preocupação por pessoas próximas a mim.
Resolvi começar a estudar até as coisas se organizarem em minha cabeça.
Frequentei seis semestres de sete do Curso Superior de História. Gostei muito,
agregou demais a mim como pessoa. Pretendo voltar e terminar este curso em
breve. Contudo, comecei a enfrentar dificuldades financeiras no status de estagiária,
estudante. Então, um maquiador ao qual eu comentava as dificuldades, me falou
sobre o trabalho de camgirl e webmodel. Me cadastrei no site que eu desenvolvo
a atividade há três anos.
Como você começou a ser uma camgirl e o que te motivou a entrar nesta
profissão?
Os
motivos foram financeiros e como eu já tinha desenvoltura para trabalhar minha
imagem, resolvi apostar. No início fiquei um pouco insegura. Porém, um mês
depois de eu entrar no site, uma famosa camgirl brasileira, a primeira a levar
de alguma forma o assunto à rede nacional, começou a trabalhar no site também!
Isso foi fundamental para que eu investisse sem muito receio. Quando eu entrei,
me sentia bem recebida. Acabou sendo um grande desafio enfrentar os meus
preconceitos que nem sabia que tinha e os preconceitos das pessoas; foi, é uma
imersão em mim mesma e de certo modo na imaginação do outro.
Como foi seu primeiro show na cam?
Engraçado!
Eu procuro me divertir em tudo que faço. A grande maioria dos usuários que eu
atendo são muito gentis e raramente tive problemas. Ainda sem entender muito, em
uma manhã apenas, eu já juntara o suficiente para efetuar meu primeiro resgate
em depósito bancário! Fiquei chocada, falei com o suporte para saber se era
aquilo mesmo e tal! Muito bacana, me senti muito admirada e desejada, tudo que
nós mortais mais buscamos.
Me conte 3 fantasias sexuais que gostaria de realizar.
Todos os
dias realizo fantasias, e isso faz com que gerem outras em minha imaginação.
Fantasia é segredo, mora no imaginário. E minha mente escorpiana pipoca todos
os dias muita safadeza!
Me diga agora três momentos sexuais inesquecíveis e de muito prazer que
teve, seja no trabalho ou na vida pessoal.
Olha, eu
sempre tive amantes mais velhos. E diversas experiências muito quentes! Mas um
parceiro em especial foi muito legal comigo como mulher, pessoa, sempre me
respeitou muito e ensinou com muita paciência e carinho ao longo de dez meses
de relacionamento. Sexo anal foi uma delas, passei a gostar por ele ter me
mostrado que não é tão complicado como falam e pode ser muito prazeroso. Na cam
mesmo, eu conheço pessoas maravilhosas e tenho experiências incríveis quase que
diariamente. Com meu tempo considerável como camgirl, sabendo que estamos
falando de algo totalmente novo, com margem de apenas pouco mais de duas
décadas e o site que eu trabalho ter cinco anos, três deles que eu tenho sala
no mesmo; coleciono mais que admiradores e sim companheiros de deliciosas
aventuras!
O que pensa para o futuro?
Me consolidar
como comunicadora sexual; gostaria de além de lucrar, atingir mais pessoas,
aprender e poder prestar um serviço em algo tão essencial e vítima de tantos
preconceitos e tabus. Uma vez que o sexo é vida e tudo rege, quanto mais nos
expressarmos de forma livre, melhor preservaremos a liberdade. Além de ser um
assunto universal e que atinge a todas as classes de pessoas, além de um ato de
coragem e revolução de minha parte, enquanto mulher em uma sociedade machista e
dita patriarcal.
Você gosta de filmes pornôs convencionais? Contracenaria em um?
Gosto
sim, estou gravando diversas cenas solo/independentes. Eu cogito fazer filmes
convencionais, porém fora do Brasil. Acredito que o pornô no Brasil, além de
pouco democrático é monopolizado. Entretanto, adoro o pornô amador, no qual já
estou imersa. Porém, nada impossibilita a análise de propostas.
Naty, no seu perfil da cam está escrito: "O mal em figura de gente.
Uma garotinha egoísta, debochada". Por favor, explique melhor sobre.
É uma
fala adaptada de um filme estadunidense, que discorre a rivalidade e o estado
natural de guerra em que nascemos, vivemos e necessitamos nos adaptar para
sobreviver. Eu sou uma pessoa esteticamente delicada e de caráter imponente, um
pouco imperativo por quem não vê minha real intenção que é o bem coletivo ao
meu redor e, isso faz com que os outros se confundam a meu respeito, gerando
uma curiosidade desafiadoramente deliciosa, sádica. De uma forma quase que
inocente eu confundo a quem cativo. Tenho essa noção. Lucro disponibilizando
meu tempo, minha persona aos interessados; busco ser autêntica! Nada mais
honesto com as pessoas que me admiram. Trabalho com entretenimento; é um modo
de prender a atenção e aguçar a curiosidade em torno do clima de mistério.
Gosto de
brincar com os julgamentos das pessoas sobre as outras, inclusive os meus.
Relativizar essa ideia de bens e maus absolutos; todos querem apenas
transparecer bons, eu prefiro guardar o meu melhor a quem acredita em mim pelo
que sou verdadeiramente por mínima vivência comigo. Sou uma provocadora nata,
uma observadora impetuosa. Mostrar meus possíveis defeitos para as pessoas me
tira qualquer obrigação de interpretar, me explicar para que gostem de mim!
Além de me dar muito tesão; sempre gostei mais das vilãs, acho elas sexies,
autênticas e alquimistas. Me identifico! Procuro aguçar a consciência de quem
tem, em relação a essa frase de que a primeira imagem é a que fica. Puta
desculpa de quem é raso e não tem coragem de mergulhar em quem é profundo, quem
dirá em sí próprio.
Preferência para transa real: mulheres, homens ou trans? Ou todas as
opções?
Homens.
Masturbação feminina ainda é um tabu em nossa sociedade. Você se lembra
da primeira vez que se masturbou?
Sim. Eu
tinha uns catorze anos, foi com uma banana (risos), fiquei curiosa! Fiquei
treinando colocar preservativos e tal. Foi uma experiência bacana, mas me senti
um pouco culpada depois, justamente por esses tabus todos em torno da mulher e
sua sexualidade! Julgo necessário e urgente uma política de ensino de verdade
sobre sexualidade! Esse é um dos motivos que desejo alcance e poder desenvolver
minhas ideias, aprender e ensinar sem tanto receio e falta de liberdade.
Mais alguma coisa que gostaria de comentar nesta entrevista?
Obrigada
pelo espaço! À disposição.
Fotos
de Naty Skinny: @natyskinny
Chat: https://cameraprive.com/br/naty-skinny-sexy
© Caroline Borgia 18/10/2018

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